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31 de outubro de 2009

Gustavo Barroso - A magia que existe

Em 27/10/09, realizamos nosso trabalho novamente, apresentando o espetáculo Belfagor  na E.E. Gustavo Barroso, no Jova Rural, extremo norte da cidade. Seria somente mais um dia de trabalho e assim foi, porém vale o registro de um "algo mais", um acontecimento que merece registro. Foram 4 apresentações, 373 alunos nos assistiram, além da presença do incansável Prof. Zé Luis, coordenador da escola, que nos impressionou pelo empenho empenho e pela dedicação. Além desse fato tão positivo devo falar sobre a apresentação ao noturno. Tenho uma palavra sobre o público: INCRÍVEL! Eu explico: estávamos cansados, acabados mesmo. Arrastamos bancos e mesas do refeitório, montamos e desmontamos a cênica, tomamos chuva, tivemos quase que gritar durante as três apresentações do dia. Ao chegar na última apresentação estávamos mesmo cansados. Mas o desafio estava lá, demonstrando que a coisa não seria fácil. Uma galera barulhenta com celulares tocando pancadão e muita gente ainda de pé, fumando e falando muito.
Apresentei o grupo, expliquei a proposta e desejei a todos um bom espetáculo. Aí foi, no mínimo, assustador, como se houvessem trocado aquele público barulhento de antes, estávamos em um teatro, não em um pátio, na platéia senhores e senhoras absolutamente respeitáveis, inteligentes e observadores. Percebiam as piadas escondidas, os olhares, cada detalhe e riam sem pudor, divertiam-se como deve ser um bom público instigado a tanto, riam e paravam para não perder as próximas falas. Quando a "coisa" ficava séria, sentíamos
a tensão, um silêncio, olhos arregalados, posso jurar que vi alguns brilhando, seriam lágrimas?
Aí, acabou o espetáculo, aplaudiram de pé. Juro que chorei, disfarcei, agradeci e fui obrigado a dizer que eles tinham sido ótimos e eles mereceram, também, nossas palmas. Algumas pessoas insistiam em permanecer no espaço com o elenco, fizeram perguntas sobre o trabalho, sobre o site, até pediram autógrafos. Era evidente que queriam um pouco mais, precisavam demonstrar que estavam satisfeitos.
Então, lembrei porque vale a pena trabalhar tanto, ganhar tão pouco ou nada, passar raiva, tomar chuva, pegar ônibus com todo o material técnico e cênico a cada dia de apresentação. Vale a pena porque sabemos que pode aparecer um público como esse, que nos dá o respeito que muitas vezes não recebemos de pessoas próximas, que teriam como nos ajudar mas não o fazem.
E.E. Gustavo Barroso, Zé Luis e alunos do noturno: nós é que somos seus fãs.

Baal Demarÿ - TS

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